Vigilância e monitoramento

Pensar que somos vigiados o tempo todo é algo tão Black Mirror, né? Parece coisa de ficção, mas é a realidade. Todo mundo que tem acesso a um computador, um celular ou um tablet tem seu próprio mini rastreador. No entanto, a vigilância do nosso cotidiano vai muito além disso. Todo o like que damos, cada compartilhamento, comentário, tudo é registrado no sistema das redes sociais.

Já afirma Fernanda Bruno no livro “Máquinas de ver, modos de ser”: “A vigilância contemporânea não está restrita aos circuitos de controle, segurança e normalização, mas se faz também intensamente presente nos circuitos de entretenimento e prazer”. Não é à toa que o Facebook consegue “adivinhar” que você tava esperando uma promoção pra comprar aquele celular quando coloca um anúncio bem grande da Samsung na sua cara, ou que você adora fast food e deixa sempre no seu feed uma propaganda do Burguer King com aqueles sandubas bem lindos te seduzindo.

A vigilância nas redes sociais vem de todos os lados: dos simples likes que damos nas fotos dos amigos aos contratos – aqueles que você clica “concordo” sem ter lido. Explicaremos tudo isso adiante.Barney

1 – Se você é #ForaTemer, dificilmente uma publicação a favor do ex presidente vai aparecer no seu feed

A própria assessoria do Facebook já confirmou: os amigos que aparecem primeiro no feed de notícias não estão ali por acaso. A maioria das redes sociais utiliza algoritmos para dar maior importância aos amigos com quem o seu perfil mais interage no dia a dia. A ideia é mapear os interesses particulares de cada pessoa para que os posts de contatos importantes não fiquem perdidos na multidão.

Em outras palavras, o Facebook escolhe o que é mais importante pra você. (leia mais aqui)

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Resultado: se você curte, comenta e compartilha publicações de amigos com gostos e interesses parecidos com os seus, você dificilmente vai encontrar uma publicação que vai contra os seus interesses logo no topo do feed. Mesmo que você tenha amigos próximos que são a favor do Temer, é provável que você curta mais conteúdo de outros amigos. Logo, o amigo fica sumido do seu feed.

Talvez isso te faça lembrar que vivemos em grandes bolhas digitais.

Nos conceitos de André Lemos: “As bordas invisíveis dos territórios informacionais devem ser controladas pelos próprios usuários […] quero que essa informação seja publica, mas não essa outra; que essa pessoa saiba que estou aqui, mas não uma outra; que meu gosto por um determinado assunto possa ser usado por esse sistema, mas não por esse outro, e assim sucessivamente”. O Facebook potencializa isso a partir do momento em que escolhe as suas preferências a partir das suas curtidas.

Tudo bem, o Facebook só quer te dar uma experiência melhor e mais tempo desfrutando do que você gosta. Afinal, segundo Fernanda Bruno, os sistemas de monitoramento são naturalmente uma parte das plataformas que analisam e armazenam dados disponibilizados pelos usuários para melhorar o serviço. Ok né, eles não estão fazendo nada que você não tenha permitido…

2 – Um pouquinho sobre aqueles termos que você concordou sem ler

Atire a primeira pedra quem leu os termos de uso de um site ou rede social antes de clicar em “concordo” (é, porque se for pedir pra atirar quem nunca leu, não vai ter pedra pra todo mundo). Tudo bem, nós todos fizemos isso, não vamos te julgar.

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Por meio de algo chamado cookie, a rede consegue descobrir do que gosta, com quem fala, o que come e onde vai. É um verdadeiro diga-me com quem andas e te direi quem és. Agora, talvez você comece a se perguntar se eles realmente têm esse direito. A resposta é sim, ninguém mandou assinar sem ler.

Vamos explicar aqui apenas um tópico do contrato do Facebook, chamado “compartilhando suas informações e conteúdos”, que você encontra aqui: https://www.facebook.com/legal/terms.

a) Você deixou o Facebook dar os seus dados pra quem ele quiser.
       […] “você nos concede uma licença global não exclusiva, transferível, sublicenciável, livre de royalties para usar qualquer conteúdo IP publicado por você ou associado ao Facebook.”

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b) Não adianta correr pra apagar agora.
   “Quando você exclui um conteúdo IP, ele é removido de maneira similar ao esvaziamento da lixeira do computador. No entanto, entenda que o conteúdo removido pode permanecer em cópias de backup por um período razoável.”

c) Faça os testes do Facebook por sua conta e risco.
       “Quando você usa um aplicativo, ele pode solicitar sua permissão para acessar seus conteúdos e informações, bem como conteúdos e informações que outras pessoas compartilharam com você. Exigimos que os aplicativos respeitem sua privacidade, e o acordo com esse aplicativo controlará como o mesmo poderá usar, armazenar e transferir esse conteúdo e informações.”
Sabe quando você aceita que os aplicativos de teste do Facebook acessem sua conta? Pois é.

3 – Ok, mas e daí?

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E daí que a sua vida toda fica armazenada em bancos de dados que você não sabe nem quem tem acesso. No regime da vigilância nada escapa. Como afirma Fernanda, não se vigia mais apenas um indivíduo ou grupo suspeito, mas informações, transações eletrônicas, condutas, deslocamentos e rastros deixados no ciberespaço. Todos podem ser potenciais vítimas ou suspeitos.

4 – Como lidar?

Mesmo depois de tudo isso, não tem como ficar longe do nosso queridinho Facebook. As redes sociais nunca serão nossas inimigas, afinal, é extremamente difícil imaginar a vida sem elas. Mas para minimizar o efeito “Big Brother” da nossa vida online, podemos tomar alguns cuidados:

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  • Evitar compartilhar informações da sua rotina que possam favorecer a ação de golpistas (sem ser o Temer) ou sequestradores.
  • Controlar a privacidade das suas publicações. Tudo bem que é legal todo mundo saber que você está de férias no Nordeste, mas não é interessante divulgar até o hotel que você está né? E que tal tirar aquele “modo público” dos seus posts para limitar o acesso de estranhos no seu perfil?
  • Jamais informar dados pessoais como RG, CPF ou até mesmo dados bancários em qualquer lugar. Use-os somente em plataformas mais seguras, como sites de lojas reconhecidas e confiáveis e no próprio internet banking.

“E se eu excluir todas as redes sociais, estarei seguro?” NÃO. Câmeras na rua, pagamento no cartão de crédito, uso do bluetooth

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Não tem jeito. Resta seguir compartilhando memes e vivendo a vida.

 

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