Acessibilidade e Tecnologia

É muito bom rir dos memes no Facebook né? Mas, você já imaginou não poder ver as imagens e só ouvir as legendas? Não ia ter a mesma graça não é mesmo? Pois essa é a realidade dos cegos nas redes sociais. Graças a aplicativos e programas, como CPqD Alcance e NVDA, pessoas com deficiência visual conseguem acompanhar o Facebook, o Twitter e conversar no Whatsapp. No entanto, são poucos os aplicativos que conseguem “ler” imagens.

Aí surgiu a #PraCegoVer.

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#PraCegoVer: Imagem em preto e branco do botão “Enter” do teclado do computador com um desenho que representa um homem cego de bengala.

Criada pela professora baiana Patricia Braille, a campanha já foi aderida por marcas – como a Skol e a Avon -, por páginas governamentais, como o Conselho Nacional de Justiça e a Secretaria de Comunicação do Pará, páginas de faculdades como a Faculdade de Comunicação da UFPA. Mas, não são só páginas que podem usar a tag, qualquer usuário pode usar e ajudar um pouquinho.

Inclusive, a estudante de jornalismo cega, Mari Romano, conta um pouco da eficácia da campanha, de como realmente funciona e da inclusão que a tag possibilita. A Youtuber também pede para que mais usuários adotem a tag em seu vídeo Cegosfera 14: #pracegover”.

A ideia da campanha é bem simples: descrever o conteúdo das publicações. Podem ser as suas fotos com o crush, aquele vídeos de gatos e até gifs da Gretchen. O texto vai ser lido pelos softwares e assim, a pessoa cega (ou com baixa visão) vai ter tanto acesso às piadinhas internas quanto você. Afinal, a finalidade do projeto é disseminar a cultura da acessibilidade e inclusão.

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#PraCegoVer: Imagem dividida em preto e branco com bolinhas amarelas. Na parte preta está escrito “seu mundo tem forma, volume e cor?”, com letras brancas, e “o deles também”, com letras amarelas. Na parte branca com bolas amarelas tem um emoji com óculos escuros, ao lado da #PraCegoVer, em letras brancas com contorno preto

Além disso, a campanha também faz parte do conceito de Tecnologia Assistiva, que, de acordo com a Andréa Souza, no livro “Acessibilidade e Tecnologia Assistiva”, “emerge como uma área do conhecimento e de pesquisa que tem se destacado pelas possibilidades de propiciar uma maior independência, qualidade de vida e inclusão social das pessoas com deficiência.”

E é justamente esse o objetivo: fazer com que pessoas com deficiência visual tenham acesso a todo o conteúdo das redes sociais. A tecnologia assistiva se diferencia das tecnologias educacionais e de reabilitação médica por ser de uso da pessoa com deficiência, sendo uma tecnologia de uso pessoal e que pode ser usada em diferentes espaços da vida cotidiana. Dessa forma, essa ação ainda ajuda a lutar o estigma de que homens e mulheres cegos, com deficiência intelectual, déficit de atenção, ou com qualquer outra deficiência, sempre precisam da ajuda de outros.

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#PraCegoVer: Imagem de um celular branco na mão de uma mulher acessando o Facebook. O fundo da imagem está fora de foco.

Para dimensionar a importância dessa ferramenta é bom ressaltar: O Facebook é a rede social mais popular do mundo. No trabalho “Interação de pessoas surdas e ouvintes com o mundo virtual: uma análise sobre as diferenças entre interações de surdos e ouvintes com o Facebook”, as pesquisadoras da PUC de Belo Horizonte, Sara Oliveira e Eliane Rocha, estudam a relevância da rede na vida de surdos e concluem que “o julgamento mais positivo da sua utilidade pelos surdos pesquisados sinalizam a importância dessa rede social para a socialibidade da pessoa surda.“ Para pessoas cegas não é diferente.

 

Tudo lindo né? Que tal participar também?

Se você quiser ajudar tem que descrever da maneira correta. A internet é uma bagunça, mas, nesse caso, existem algumas regrinhas, que facilitam a vida tanto para quem está fazendo a publicação, quanto a de quem está ouvindo a descrição.

As dicas são do blog PalavraChave, da criadora da campanha:

A) Coloco a hashtag #PraCegoVer.

B) Anuncio o tipo de imagem: fotografia, cartum, tirinha, ilustração…

C) Começo a descrever da esquerda para a direita, de cima para baixo [a ordem natural de escrita e leitura ocidental]

D) Informo as cores: Fotografia em tons de cinza, em tons de sépia, em branco e preto [se a foto for colorida, não precisa informar “fotografia colorida”, porque você vai dizer as cores dos elementos da foto na descrição e a indicação ficará redundante. Se você já vai dizer que a moça está de casaco vermelho, ao lado de flores amarelas, não preciso dizer que a foto é colorida].

E) Descrevo todos os elementos de um determinado ponto da foto e só depois passo para o próximo ponto, criando uma sequência lógica.

F) Descrevo com períodos curtos [se posso falar com 3 palavras, não vou usar 5].

G) Gosto de começar pelos elementos menos importantes, contextualizando a cena, e vou afunilando até chegar ao clímax, no ponto chave da imagem.

Pra ficar mais fácil, nós vamos exemplificar pra você! A descrição não precisa ser aquele texto extremamente rígido e sisudo, por estar na internet, é possível que já uma descrição mais leve e apropriada para a linguagem das redes sociais. E, se estamos no Facebook, por que não descrever memes e gifs?

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#PraCegoVer: GIF da rainha do pop brasileiro, Anitta, de costas, virando o rosto e falando no microfone “cês pensaram eu não ia postar GIFS hoje né?”. Ela está na apresentação do Prêmio Multishow, num fundo em tons de azul.

Então, agora que você já aprendeu, vamos praticar e espalhar essa ideia?

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